Arquivo de maio 2010

Tripés: Qual escolher?

Se você decidiu levar a fotografia a sério, um dos primeiros acessórios que comprará para a sua câmera será um tripé. Esse acessório permitirá que sua câmera esteja perfeitamente estável ao mesmo tempo que te oferece o enquadramento ideal para aquela fotografia com maior exposição ou sequenciais que dariam muito trabalho de alinhar pelo computador.

Escolhendo um tripé:

Quando comparados a outros acessórios fotográficos, tripés são relativamente baratos. Os modelos mais simples, que servirão bem na maioria das situações não costumam custar mais que R$100,00. Mesmo os tripés mais sofisticados, com cabeça hidráulica e que sustentam câmeras mais pesadas, podem ser adquiridos a partir de R$300,00, nada mal quando se leva em conta que esse é o preço de algumas das lentes mais baratas.

As roscas de tripé são universais, portanto qualquer tripé será compatível com a sua câmera, o que lhe dará a liberdade de escolher o modelo que melhor atender suas necessidades. Veja se ele é firme o suficiente para sustentar seguramente o peso do seu equipamento. Não esqueça que algumas lentes maiores vão alterar consideravelmente o centro de gravidade da sua câmera e um tripé muito leve poderá perder o equilíbrio ou perder a estabilidade.

Por último, não esqueça também de escolher um tripé que seja compatível com a sua altura. Esse detalhe pode passar despercebido por alguns fotógrafos mais altos e o seu uso pode ser frustrante em algumas situações.

Por que todo fotógrafo precisa de um tripé?

Mesmo os fotógrafos que os utilizam muito pouco reconhecem que ter um tripé é fundamental. Mesmo que você não tenha planos de fotografar longas exposições frequentemente, eventualmente você precisará utilizar um tripé e, quando esse dia chegar, é importante que se tenha prática com o equipamento.

Saber usar os tripés é fundamental para conseguir nitidez em algumas cenas. Na teoria parece muito simples, basta extender as pernas, rosquear a câmera e fotografar, mas o processo não é tão simples. Conseguir o enquadramento desejado e estabilizar corretamente a câmera no tripé e o tripé na superfície pode consumir mais tempo do que o esperado na base da tentativa e erro. Durante esse tempo perdido o fotógrafo pode perder o acontecimento mais importante da cena ou ter que corrigir o enquadramento na pós-produção.

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Há ainda diversos fatores que exigem prática, como qual será a lente utilizada, a orientação da câmera, se há vento suficiente para fazer com que a estrutura “trema” e diversos outros que cobriremos com mais detalhes em breve.

ISO na fotografia digital

Em textos anteriores já falamos sobre a velocidade de obturação e abertura, ambos relacionados à entrada de luz no sensor da câmera. Esses dois elementos da fotografia devem ser regulados em conjunto de acordo com a situação fotografada. Existe ainda um terceiro elemento muito importante na exposição fotográfica, o ISO, antigamente chamado de ASA.

O ISO, na fotografia digital, é medido em valores equivalentes aos da fotografia analógica. O ISO expressa o quão sensível o sensor será à luz captada; um ISO mais alto resulta em um sensor que necessita de menos luz, fazendo com que seja possível fotografar em ambientes com menos iluminação.

Infelizmente essa possibilidade de fotografar com pouca luz não vem de graça. O preço é pago em forma de “ruído” na fotografia. Ao aumentar a sensibilidade do sensor à luz, o ISO também deixa a câmera mais suscetível a esses ruídos e, portanto, a regra geral é a de que se fotografe com o menor ISO possível, utilizando as outras configurações de exposição (abertura e velocidade de obturação) para fornecer mais luz ao sensor. Sempre que possível ilumine a cena adequadamente e mantenha o ISO baixo.

Velocidade do obturador

A maneira mais básica de definir o que é a velocidade do obturador é dizendo que se trata da quantidade de tempo em que o obturador permanece aberto durante a captura da imagem. Quanto menor o tempo, maior a velocidade. Na época da fotografia analógica esse era o período em que o filme ficava exposto à cena. Similarmente, na fotografia digital é o tempo em que o sensor “enxerga” a cena que você pretende capturar.

A velocidade do obturador é medida em segundos, ou na maioria dos casos, em frações de segundos. Quanto maior for o número, mais tempo o sensor ficará exposto, portanto dizemos que esse é um dos fatores de uma exposição maior. Lembre-se que em uma fração quanto maior for o divisor, menor é o número. Uma exposição de 1/500 é muito mais rápida e expõe o sensor por muito menos tempo que uma 1/15, por exemplo.

Uma velocidade maior que 1/60 é recomendável para a maioria das fotografias. Normalmente as velocidades disponíveis nas câmeras serão aproximadamente dobradas a cada configuração. Assim, as velocidades serão, da menor para a maior, 1/8, 1/15, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250, 1/500, 1/1000, por representarem tempos cada vez menores. Essa disposição é útil pois a quantidade de luz capturada a cada aumento de velocidade diminui proporcionalmente. Por isso a velocidade de obturação precisa ser constantemente compensada pela abertura.

Quanto mais rápida for a obturação, mais “congelada” estará a cena, eliminando quaisquer borrões por movimentos. Na maioria das vezes não há o que escolher quanto à velocidade de obturação, uma configuração errada te dará uma imagem muito escura ou borrada. Em alguns casos essa é uma escolha criativa a ser feita pelo fotógrafo. Este é um dos motivos pelo qual algumas câmeras oferecem velocidades super-lentas de obturação, com até 30 segundos de exposição da cena ao sensor. Ao utilizar uma velocidade de exposição menor que 1/60, é quase sempre necessário o uso de um tripé ou alguma outra forma de estabilização.

Nikon Coolpix P6000 with SB-400 High Shutter Speed por littcool.jpeg

Na imagem acima foi utilizada uma velocidade maior de obturação para congelar a cena, que na abaixo a cena foi exposta por um tempo maior ao sensor para que o movimento fosse ressaltado.

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A distância focal também deverá ser considerada ao escolher a velocidade de obturação adequada. Distâncias focais maiores podem acentuar o movimento de eventuais tremidas da câmera, portanto você terá que escolher velocidades maiores de obturação. A “regra” para escolher a combinação certa entre lente e velocidade do obturador é escolher uma velocidade cujo divisor seja maior que a distância focal da lente. Ao utilizar uma lente 50mm, 1/60 provavelmente será a velocidade mínima adequada, enquanto que ao fotografar com uma 200mm essa velocidade passa para 1/250.

Pensar em velocidade de obturação sem considerar abertura e ISO não é uma boa ideia. Ao alterar uma dessas configurações você provavelmente terá que compensar um destes outros ajustes de exposição.